sexta-feira, 9 de novembro de 2012

AS DIFICULDADES DOS IMIGRANTES ALEMÃES ENGANADOS NO BRASIL



            AS DIFICULDADES DOS IMIGRANTES ALEMÃES ENGANADOS NO BRASIL


           A história dos alemães na Rússia e das  regiões em volta  do Império Alemão. Desde o século XVIII por volta do ano de  1763, quando Catarina II tornou-se imperatriz da Rússia. Ela fez um manifesto chamando por imigrantes para colonizarem uma vasta região de terras virgens à volta do rio Volga. Para encorajar a vinda de imigrantes, o manifesto assegurava importantes privilégios a esses imigrantes encorajados por uma autonomia política, liberdade religiosa, isenção do serviço militar e isenção de impostos.  
         Esses direitos e privilégios ofereciam a chance de uma vida melhor e então milhares de pessoas de estados alemães e da Europa Central emigraram para a Rússia. Há várias razões para uma grande quantidade de alemães saíram de sua terra natal. Muitas regiões na Alemanha estavam devastadas e a pobreza estava disseminada.
       No século XVII a Alemanha estava dividida mais de 300 unidades politicas, Governada por eleitores, arcebispos, Duques, Landgraves, Conselhos Municipais, Condes, Cavaleiros Imperiais entre outras funções de alto nível.
          Então havia uma insatisfação constante e também revoluções. Para perceber um pouco que ficava uma mistura total  de povos e conflitos, e estes conflitos gerava mais conflitos  e perdurava por séculos.
    
O clima-na-historia da Alemanha desde 1800-1
       
                  VEJAMOS UM POUCO COMO FICOU A POLITICA NA EUROPA

  Então no inicio do século XVII mudou  a posição politica  governamental; a Bélgica  foi anexada aos Habsburgos e ser governada  através de Viena; enquanto Itália foi dividida em 11 Estados, a maioria deles governados pelos Habsburgos  ou seja pelos Austríacos ou Bourbons, Franceses e espanhóis. O Sacro Império Romano Germânico incluindo os Tchecos, Húngaros e mais algumas nacionalidades  formando –se a Alemanha. A Polônia foi dividida em três regiões, Governado  pelo Governo em Berlim, Viena e São Petersburgo a Polônia  por estas medidas sofrera consequências posteriores .   
No final da pratica Feudal deu um impulso na agricultura, e a remoção de  pessoas por causa do acercamento e com a liberação do comercio sobrou muitas pessoas e estas foram se amontoando  nas periferias das Cidades.
Com o confisco de bens pela Igreja  e com as construções de Escolas, Mosteiros, Conventos e também Universidades  surgiram novas ideias cientificas e  tecnologias, mas em compensação sobrou muitas gente na miséria com  fome , comfalta de trabalho, falta de moradias, entre outras crises.
Por este motivo muitos dos alemães optaram em se ariscar numa aventura desconhecida para garantir seu sustento numa nova terra.

 Ainda mais quando  a Alemanha, depois do Congresso de Viena, passara a constituir uma Confederação composta por numerosos estados, cuja política exterior era coordenada por uma Assembleia que se reunia em Frankfurt. A Prússia e a Áustria lideravam esta Confederação.


Cidades Medievais  do Império Alemão

Na Prússia, em 18 de março de 1848, verificou-se extraordinária manifestação popular diante do palácio real, provocando a reação das tropas. O movimento alastrou-se e Frederico Guilherme, rei da Prússia, teve de se humilhar prometendo uma Constituição ao povo insurgido.
Vários Estados juntaram-se ao movimento, aproveitando a oportunidade para tentar a unificação política. Em março, reuniu-se em Frankfurt uma Assembleia preparatória para um Parlamento representativo, que deveria iniciar seus trabalhos legislativos em maio.
Os príncipes alemães aproveitaram-se da divisão entre os revolucionários para retomar o poder abalado. Em novembro de 1848, Berlim foi tomada e a Constituinte dissolvida pelo exército. O movimento liberal fora abafado
A Assembleia de Frankfurt decidiu eleger como imperador o rei da Prússia, que recusou por se considerar rei por vontade de Deus. Propôs, entretanto, aos príncipes alemães a criação de um império. A Áustria, em 1850, impôs à Prússia o recuo nesses projetos e em qualquer mudança da ordem existente.

Europa /Alemanha
         Este Retrato  demonstra a representação da obediência do servo ao senhor  Feudal. Esta politica administrativa da  semi -escravidão  fez com que muitos  alemães optaram  pela imigração entre outros fatores.
Visando à maior integração entre os Estados germânicos foi criado, em 1834, o Zollverein, espécie de liga aduaneira que liberava a circulação de mercadorias nos territórios dos membros componentes, em torno da Prússia e sem a participação da Áustria.
Esta política econômica estimulou o desenvolvimento industrial, que por sua vez acentuou o nacionalismo germânico, o desejo de independência e de união política. O mesmo aspecto liberal e nacionalista que vimos aparecer na Itália também se manifestava lá.
Na Prússia, em 18 de março de 1848, verificou-se extraordinária manifestação popular diante do palácio real, provocando a reação das tropas. O movimento alastrou-se e Frederico Guilherme, rei da Prússia, teve de se humilhar prometendo uma Constituição ao povo insurgido.
Vários Estados juntaram-se ao movimento, aproveitando a oportunidade para tentar a unificação política. Em março, reuniu-se em Frankfurt uma Assembleia preparatória para um Parlamento representativo, que deveria iniciar seus trabalhos legislativos em maio.
Os príncipes alemães aproveitaram-se da divisão entre os revolucionários para retomar o poder abalado. Em novembro de 1848, Berlim foi tomada e a Constituinte dissolvida pelo exército. O movimento liberal foram abafado.
A Assembleia de Frankfurt decidiu eleger como imperador o Rei da Prússia, que  recusou  por se considerar Rei por vontade de Deus. Propôs, entretanto, aos príncipes alemães a criação de um Império. A Áustria, em 1850, impôs a Prússia o recuo nesse projeto e em qualquer mudança de ordem existente.


     AS DIFICULDADES DA IMIGRAÇÃO ALEMÃ DO BRASIL (1812 à 1914). 
Império Alemão em conflito

 As  viagens eram uma verdadeira e grande aventura. As viagens  pelo Atlântico levava de 90 a 120 dias isto quando ia tudo bem, por muitas vezes demorava muito mais.
No inicio do ano de 1818 vieram colonos suíços do cantão Friburgo, da Suíça alemã na área que denominaram Nova Friburgo, no reinado de D. João VI para Nova Friburgo, Rio de Janeiro.  Vieram 165 famílias alemãs, para cultivar fumo, cacau e cereais em Ilhéus, Capitania da Bahia.  E no ano de 1819,  aproximadamente 200 famílias alemãs, instaladas no norte da Capitania da Bahia, São Jorge, Bahia. No mesmo ano de 1819, 40 famílias alemãs que foram contratadas para trabalhar na Fazenda Mandioca, tendo sido os primeiros colonos "braços livres" a trabalhar numa fazenda, no Brasil. 
 Os suíços que haviam chegado ao Brasil em 1819, oriundos de Freiburg e que aqui se instalaram em Nova Friburgo, tiveram uma viagem desastrosa. Por falta de organização aguardaram por 2 meses o embarque no porto da Holanda. Foram mal instalados e acabaram que ali mesmo morreram 43 imigrantes e foram enterraram ali mesmo. 
Os 2.018 montanheses arrebanhados por campos e aldeias atravessaram o Atlântico espremidos em 7 barcos. Um dos barcos, da Urânia, em que embarcaram 437 passageiros, devido a uma epidemia, marcou sua rota marítima com um rastro de 107 corpos. Mais de um cadáver por dia. Um quarto dos passageiros lançados do tombadilho ou seja barco da morte. No Rio de Janeiro outra mortandade em decorrência de febres tropicais. Em Friburgo, na velha  Suíça e no Rio de Janeiro, somaram o total de 389 mortos por febre. 
Dos 2.018 colonos que saíram da Europa  chegaram apenas 1.631 pessoas,  no Brasil. O índice de  mortandade parecido com o dos navios negreiros. 
 Com o ingresso de Major Schaeffer do ano de 1824 até 1829, no processo imigratório não aconteceria muitas mortes. O Major era extremamente diligente organizou com todo o cuidado os embarques. Em cada uma das 27 expedições que organizou de 1824 até 1829 havia um "comandante do transporte" ou "chefe da expedição", que zelavam pela disciplina, pela higiene do bordo bem como dos direitos e deveres dos passageiros muito rígido , para não dizer humilhante.
 A alimentação não era descuidada. Os comandantes convidavam passageiros para os seus camarotes para comprovar que a alimentação servida aos tripulantes era a mesma que era servida aos passageiros. Em cada navio havia um médico cirurgião, farmacêutico e enfermeiros para cuidar da saúde bem como da higiene para evitar a erupção de epidemias a bordo. 
Evidentemente que ocorreram muitas mortes nas viagens, mas estas sempre foram decorrentes de causas diversas, e não devidos à má alimentação ou falta de higiene da embarcação ou dos passageiros. Embora mais seguras quanto às moléstias às viagens não deixavam de representar um grande temor para os passageiros. 
 Em quatro dos vinte e sete embarcações que chegaram ao Rio de Janeiro de 1824 a 1829 foi uma verdadeira tragedia. O primeiro veleiro, o Argus saiu de Hamburgo no dia 27 de julho de 1823, desde o início foi assolado por fortes tempestades que sopravam para o Oeste. Depois de perder o mastro central atracou no porto holandês de Texel. Durante as reformas cerca de 30 passageiros fugiram com medo de prosseguir a viagem.
 Em 10 de setembro reiniciou a viagem que não foi mais feliz que a primeira. Nova tempestade os obrigou a arribar na Ilha de Wight, ainda na Holanda. Depois de 15 dias, inicia a terceira partida, mas um forte furacão obriga a embarcação a atracar no Porto de Biscaia na Espanha e mais tarde nas costas da África, onde após muitas delongas conseguiu fazer um ancoradouro seguro na Ilha de Tenerife, de onde partiu no dia 8 de Novembro para chegar no dia 7 de Janeiro de 1824 ao Rio de Janeiro, trazendo 284 pessoas, sendo 134 colonos e 150 soldados. Entre os passageiros encontrava-se o pastor Friedrich Oswald Sauerbronn, o primeiro pastor evangélico do Brasil que se radicou em Nova Freiburgo cuja esposa faleceu durante a viagem em virtude de um parto. No Argus também viajou Karl Niethammer o primeiro boticário da Colônia Alemã de São Leopoldo.
Outro veleiro que passou por peripécias foi o  veleiro Germânia que trouxe a 4º leva de imigrantes. Capitaneado por Hans Voss e tendo como "comandante do transporte" o Ten. Ferdinand von Kiesewetter. Partiu de Hamburgo no dia 9 de maio de 1824 até o porto de Glückstadt, no Rio Elba, de onde zarpou no de 3 de junho de 1824 e chegou ao Brasil o Estado de  Rio de Janeiro no dia 14 de setembro de 1824 trazendo 401 passageiros sendo 277 soldados e 124 colonos. A bordo estavam também o pastor Johann Georg Ehlers, Karl von Ende e Johann Daniel Hillebrand.Johann Georg Ehlers foi o primeiro pastor evangélico de São Leopoldo e que iniciou os registros eclesiásticos ainda a bordo do Germânia; o  Karl von Ende o primeiro médico   e o Johann Daniel  Hillebrand  também era  médico e  o primeiro administrador da Colônia Alemã de São Leopoldo. A viagem deste veleiro foi marcada por rebeliões e desordens. 
O navio além de 124 colonos trazia também 277 soldados, entre eles um pequeno contingente de ex-prisioneiros saídos das casas de reclusão de Hamburgo. Ainda atracado em Glückstadt no Elba um recruta tentou incendiar a embarcação. Durante uma tempestade houve rebelião a bordo. Após das investigações por uma Comissão foram responsabilizados 8 passageiros, todos ex-prisioneiros das prisões de Hamburgo que foram julgados e fuzilados. O Pastor Ehlers e o médico Hillebrand faziam parte da Comissão. 
EXEMPLO DE UM VELEIRO DE DOIS MASTROS
O veleiro Cäcília também teve uma viagem muito complicada. Depois de passar por terrível tempestade em que perdeu todos os seus mastros, foi abandonado pelo Capitão por considerar a embarcação perdida. Ficou vagando ao "Deus dará" pelo Canal da Mancha até ser encontrado por um barco inglês que o rebocou até o porto de Plymouth na Inglaterra. Ali os náufragos aguardaram por 2 anos por um novo embarque para a América, fato proporcionado para interferência da imperatriz austríaca Dona Amélia von Leuchtenberg em viagem ao Brasil. Os passageiros do Cäcilia que deixaram a Alemanha em 1827 chegaram ao Rio de Janeiro no dia 29 de Setembro de 1829, sendo esta data comemorada, ainda hoje, no "Michelskerb" (Kerb de São Miguel) de Dois Irmãos e São José do Hortêncio onde a maioria dos passageiros do Cäcilia se estabeleceram. 
Não menos turbulenta foi a viagem do brigue holandês "Ativo". Depois de uma tenebrosa travessia do Atlântico ao invés de atracar no Rio de Janeiro foi até a costa de Pernambuco, onde 122 dos 140 passageiros 18 morreram durante a viagem, e os restante dos imigrantes foram abandonados à própria sorte.  Estes fundaram um pequeno núcleo germânico que batizaram de Santa Amélia.  Estes se dedicaram à agricultura rudimentar e à produção de carvão vegetal. Consta que alguns com recursos próprios e viajando até em carros de boi,  fora através das matas, chegaram anos depois em Santa Catarina e outros no Rio Grande do Sul. 
Nada pode ser comparado  com a embarcação da Company Patie, Holandesa este zarpou no dia 10 de outubro de 1825. O Brasil do mês Dezembro de 1825  entrou em conflito com Argentina. A  guerra contra a Argentina pela posse da Província Cisplatina, ( atual Uruguai). Ao chegar próximo ao Rio De Janeiro. 
Em Janeiro de 1826 o Company Patie foi aprisionado por corsários a serviço dos castelhanos, sendo levado ao sul com destino à Argentina. Na entrada do porto de Buenos Ayres a embarcação foi interceptada por navio de guerra brasileiro e os passageiros instalados na Ilha das Flores situada nem frente a Montevidéu. Dali dos 281 cerca de 200 fugiu para a Argentina, com o "comandante do transporte" Karl Heine que dizem ter sido um agente de imigração a serviço de Rosas. Os 81 restantes voltaram ao Rio de Janeiro aonde chegaram em 17 de maio de 1826. 
A relação de acidentes com embarcações, no primeiro período da imigração que vai de 1824 a 1830, encerra-se com o naufrágio do Bergantim Flor de Porto Alegre. Saiu do Rio de Janeiro em fins de 1824 com destino a Porto alegre.
 No início de Janeiro de 1825 naufragou na costa gaúcha, encalhado nos bancos de areia em frente a Mostardas. Dos 61 passageiros 2 morreram afogados. Os demais se salvaram nadando até a praia onde foram acolhidos pelos moradores do lugar.Uma media de 15 colonos instalaram-se em Torres.
 Houve vários  náufragos com imigrantes; entre estes, estava o pastor Leopold Voges que chegaram no dia 11 e Fevereiro de 1825 em São Leopoldo. 
O Imperador D.Pedro I  passou a se dedicar a ocupação das terras vazias do Sul do Brasil. Para cumprir essa tarefa, o governo brasileiro optou pela vinda de imigrantes. O Brasil acabara de se tornar independente de Portugal, portanto, os portugueses não podiam ser os ocupantes das terras brasileiras.
 A imperatriz do Brasil, Dona Leopoldina, era Austríaca e, por essa razão, o Brasil optou por trazer imigrantes germânicos para o país. Os alemães tornaram-se os primeiros imigrantes a se estabelecer no Brasil, após os portugueses. O primeiro grupo de colonos alemães aportou no Brasil em 1824. Foi recrutado pelo major Jorge Antonio Schaffer e encaminhados para o atual município de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Os colonos tiveram que construir suas próprias casas. Receberam sementes para o plantio e gado para o sustento. De início, São Leopoldo não se desenvolveu. 
Porém, com a chegada de novos imigrantes, a colônia cresceu. A partir de São Leopoldo, os alemães desbravaram a região, seguindo o caminho dos rios. Em alguns anos, toda a região do Vale do Rio dos Sinos estava sendo ocupada pelos colonos germânicos. Em 1826, surgiu o primeiro curtume na região do vale. A seguir, estalaram-se moinhos de trigo, uma fábrica de sabão, ferrarias, oficinas de lapidação de pedras, além de um número enorme de sapatarias ainda hoje um dos maiores polos da indústria de calcados do Brasil.
A colonização continuou à medida que os alemães, em sua maioria partindo de São Leopoldo, buscavam novas terras em lugares mais distantes. Essas colônias já não eram patrocinadas pelo governo, e sim colônias privadas. A colônia Santa Isabel a homenagem a princesa Isabel, foi fundada no ano de 1847, esta colônia foi fundada ás margens do Rio dos Bugres. Venceram as primeiras dificuldades numa terra estranha e cheio de morros e pedras, com uma agricultura fraca sem retorno da produção. 
 Colônia antiga, como Novo Hamburgo, estabelecida pouco tempo depois de São Leopoldo, serviu de apoio para a criação de colônias mais novas, como Estrela fundada em 1853, Lajeado  no ano de 1853 e Teutônia foi fundada no ano de 1868. 
Outras colônias, só foram criadas tempos depois, como a colônia de Juí foi fundada no ano  de 1890. Sobradinho  foi fundado no ano de 1901 e colônia Erechim  foi fundada no ano de 1908. Essas últimas colônias já não eram exclusivamente alemãs, pois agregavam imigrantes de outras nacionalidades. A imigração alemã no Rio Grande do Sul foi contínua. Entre 1824 e 1830 entraram no Rio Grande 5.350 alemães. Após  de  1830 até  no ano de 1844 a imigração foi interrompida. 
 Mas entre  os anos de 1844 e 1850 vieram  mais dez mil pessoas germânicas, e entre 1860  até 1889  vieram outros dez mil imigrantes. 
Entre 1890 e 1914 chegaram mais 17 mil pessoas.  Os imigrantes alemães  protestantes formaram a maioria dessa corrente imigratória e as igreja luteranas foram estabelecidas nas colônias para atender aos fiéis. Porém, o número de católicos também era grande. Com o passar do tempo, a maior parte dos alemães e descendentes passaram a ser católicos.

                                      EMBARCAÇÃO PELO SCHAEFFER
Nos 27 embarques organizados por Schaeffer entre o ano de 1824 até o ano de1829, chegaram ao Rio de Janeiro cerca de 5.000 colonos e outros tantos soldados. Estes eram engajados nos Batalhões dos Estrangeiros. Os colonos ficavam alojados em galpões da Praia Grande ( Niterói), aguardando viagem ao sul. 


UM VELEIRO DE TRÊS MASTRO

         Enquanto a travessia oceânica era feita em navios de três mastros, as viagens para Porto Alegre eram efetuadas em bergantins, sumacas e escunas, com dois mastros apenas, por causa do pouco calado da barra de Rio Grande. 
A Capital da Província de São Pedro era atingida em média em três semanas de viagem. Ao desembarcarem em terras brasileira até depois de recepcionados pelo Presidente da Província, ficavam alojados na extremidade sul do porto, em prédio do arsenal de guerra, próximo à atual usina do gasômetro. 
Para o transporte até São Leopoldo, na época conhecida por "Passo do Courita" Ali morava um português natural de Coura. Eram utilizados lanchas toldados, movidos à vela e a remo. 
Em carretas os colonos chegavam à Feitoria do Linho-Cânhamo onde ficavam alojados até o recebimento do seu lote de terras.
 As Feitorias havia sido fundada no ano de 1783, pelo vice-rei Dom Luiz de Vasconcellos e Souza e instalada inicialmente no sul do Estado no local então denominado de "Rincão do Caguçu". 
Seu objetivo era plantar o linho-cânhamo, cientificamente conhecida por "canabis sativa" e que hoje e conhecida por "maconha". Esta planta fornecia excelente fibra para a fabricação de cordas, cordoalhas e velas largamente empregadas na navegação da época. Devido a sucessivos déficits, creditados à baixa produtividade das terras, foi a Feitoria em 1788 transferida para as margens do Rio dos Sinos. Os resultados ali obtidos também não foram satisfatórios. Por isso foi extinta no dia 3 de março de 1824. Suas terras, correspondentes a duas léguas, correspondentes a 180 colônias de 100.000 braças quadradas, foram subdivididas e distribuídas entre os colonos alemães que ali aportaram, em numero de 39 pessoas no dia 25 de Julho de 1824.
 Dos 321 escravos apenas nove permaneceram na Feitoria à disposição da administração José Thomás de Lima e que prestaram grande serviço na construção das casas para o alojamento dos imigrantes que ano a ano vinham em maior número.
No ano de  1824 chegaram a São Leopoldo, 126 imigrantes; no ano de 1825 vieram 909;  no ano de 1826 desembarcaram 828 imigrantes; em 1827 vieram 1.088 imigrantes; no ano de 1828 ,veio 99 imigrantes; em 1829 desembarcaram no Brasil 1.689 imigrantes e no ano de 1830 chegaram 117 imigrantes ao  total de 4.830 imigrantes.
Os recém chegados à Feitoria de logo se depararam com novos problemas: Por falta de demarcação das terras, muitos ficaram instalados nos prédios antes ocupados pelos escravos, ou seja nas senzalas, aguardando por meses o assentamento dos lotes que não aconteceu.
 A demarcação dos lotes fora feita apenas na parte frontal, ficando os limites laterais por conta dos proprietários, o que gerou muitas brigas e questões judiciais; Os subsídios que deveriam ser pagos nos primeiros dois anos eram suspensos tão logo os agricultores não tiveram meios do seu  sustento por não conhecer as plantas tropicais, o que ocorreu já ao final do primeiro ano.
Os imigrantes que chegaram em 1829 e 1830 nada receberam, pois as verbas haviam sido suspensas no orçamento pelo governo imperial. Todos estes problemas e percalços não foram suficientes para demover o espírito empreendedor daquela pobre massa trabalhadora. Apenas um ano após a chegada dos primeiros imigrantes, junto ao "Passo do Courita" artesãos que não possuíam aptidão para o trabalho na terra haviam formado uma florescente povoação, posteriormente batizada de São Leopoldo. No primeiro período da imigração iniciou do ano de 1824 a 1830 todo os vale do Rio dos Sinos, havia sido ocupado pelos imigrantes.
Além de São Leopoldo haviam fundado Novo Hamburgo (Hamburgerberg), Campo Bom, Dois Irmãos (Baumschneis), Ivoti Berghanerschenis,depois Bom Jardim), Estancia Velha, Sapiranga (Leonerhof), além de São José do Hortêncio (Portugiserschneis). 
A partir de 1836 haviam também ocupado terras ao leste de São Leopoldo como Taquara do Mundo Novo, fundada por Tristão Monteiro e Igrejinha, por eles batizada de "Kleinkirchen". Em todas estas localidades o comércio, a indústria e os artesãos ( sapateiros, curtidores, seleiros, ferreiros, carpinteiros, tecelões, alfaiates, etc. ) estavam em franco progresso, quando em 1835 estourou a Revolução Farroupilha. 
Os imperiais ou legalistas juntaram-se ao Dr. Hillebrand a quem também se juntou o major Ferdinand Maximilian Kersting, Tem. Heinrich Wilhelm Mosye e outros; os rebeldes ou farroupilhas uniram-se ao Major Hans Ferdinand Albrecht Hermann von Salisch nomeado, pelo governo revolucionário, Diretor da Colônia de São Leopoldo. Durante os 10 anos da Revolução as atividades da Colônia estiveram paralisadas. O envolvimento da Colônia Alemã neste triste episódio que dividiu a família  do Rio  Grande  do Sul, teve a participação de centenas de imigrantes, lutando de ambos os lados, semeando a morte , tristeza e a destruição em toda região.
 O major Schaeffer: alemão contratava mercenários trazidos da Alemanha, para formar o "Corpo de Tropas Estrangeiras", no Exército Brasileiro, imediatamente após a proclamação da Independência, através do médico Anton Von Schaeffer, chegado no Brasil em 1821 e nomeado major da Guarda Imperial, pelo imperador D. Pedro I. Formaram dois batalhões de caçadores e dois de granadeiros. 
Os contratados, dois tenentes engenheiros, que foram incorporados ao Exército Brasileiro, por não haver uma unidade de engenharia no Corpo de Tropas Estrangeiras: Os tenentes Halfeld e Koeler, que foram, respectivamente, fundadores de Juiz de Fora e de Petrópolis. Duzentos sessenta e quatro colonos evangélicos  trazidos pelo  major Schaeffer, que iriam para o Sul do Brasil, mas foram instalados perto do morro de Queimados, na Serra do Mar, para proteger a costa brasileira. No ano de 1824 a segunda expedição de colonos trazida pelo major Schaeffer, foram mandados para o Rio Grande do Sul, tendo sido instalados onde hoje são as cidades de São Leopoldo, Novo Hamburgo e outras colonias. Nessa região aconteceu a estúpida batalha, cujo relato ganhou o nome de Os Muckers. 
A terceira expedição de colonos enviados pelo major Schaeffer, que fundaram a colônia de Três Forquilhas, também no Rio Grande do Sul. Foi no ano de  1825 o major Schaeffer trouxe para o Brasil a última leva de imigrantes alemães. 
No ano de 1829  os alojados de  Santo Amaro da Cidade de Santo Amaro em  São Paulo. Esses, na verdade, foram alojados no meio da selva, naquele momento, por exigência dos fazendeiros escravocratas, que não os queriam próximo dos escravos. Tentando assim escravizá-los também de uma forma ou de outra.
 Em 1829 colonos Itapecerica, alojados onde hoje se situa a cidade de Itapecerica. do mesmo ano de 1829  uma parte de uma expedição destinada ao Rio Grande do Sul,  fundaram a Colônia São Pedro de Alcântara, em Santa Catarina. 
E mais tarde, em 1846, para ela foram mandados 300 colonos que estavam no Rio de Janeiro, e foram totalmente abandonados. 
No mesmo ano de 1829.  A segunda expedição chegada em Santa Catarina, também parte de uma expedição mandada para o Rio Grande do Sul, que foi alojada na foz do Rio Itajaí,  hoje o Municipio de Itajaí,  onde foi fundada a cidade com o nome de Itajaí.
 Em 1835 a terceira expedição  desembarcou,  em Santa Catarina, alojando-se na margem do rio Itajaí Pequeno.
 No ano de 1837. Os 283 colonos Justini, que se revoltaram pelas condições de viagem no veleiro francês "Justini", que se destinava a Sydney, Austrália, e desembarcaram no Rio de Janeiro, foram alojados no Caminho das Cabras, na serra da Estrela, em Petrópolis.
 Em 1839, Os 196 artífices e suas famílias, destinados ao Recife, para remodelar a cidade,  Vieram através da Companhia de Operários.  No mesmo ano de 1839 foi formado um Batalhão de Polícia do Pará, com 800 soldados alemães contratados para enfrentar os revoltosos da Cabanada; vitoriosos, transformaram-se no;  Primeiro Batalhão de Polícia do Pará.  
No ano de  1845, foram 1.818 colonos alemães que se estabeleceram na fazenda Córrego Secos, de propriedade de D. Pedro II. Em  Petrópolis, Rio de Janeiro. 
Os Colonos que foram instalados em Santa Isabel,  e no Espírito Santo, no ano de 1847, estes foram alojados em condições tão terríveis, que inspiraram a Graça Aranha seu romance Canaã, pela precariedade e despeito com os imigrantes. 
No mesmo ano de 1847, 80 famílias contratadas pelo Senador Vergueiro, em São Paulo, para trabalhar em sua fazenda, em regime de meação. 
No ano de 1848. As 600 famílias importadas pelo governo da província  foram alojados em Macaé,foram  abandonadas, largada a própria sorte muitas das famílias inteiras morreram. 
Em Niterói,do Rio de Janeiro aconteceu também um abandono total dos imigrantes no mesmo ano de 1848 uma parte dos mesmos sobreviventes  acima  22 deles,   foram alojados na localidade de Valão dos Veados. 
No mesmo ano de 1848 chegaram Colonos Leopoldina,  estes colonos que foram para o interior de Santa Catarina, onde fundaram a Colônia Leopoldina.
 Em 1849 Colonos de Santa Cruz: contratados pelo governo imperial, fundaram a colônia Santa Cruz, no interior do então São Pedro do Rio Grande do Sul. 
No ano de 1850 vieram os Colonos Blumenau  da Colônia São Paulo de Blumenau, fundada por Hermann Bruno Otto Blumenau. 
Em 1851, chegaram os Colonos de Dona Francisca. Em terras pertencentes a irmã do imperador Dão Pedro II, Dona Francisca, esta contratou a Sociedade Colonizadora Hamburguesa para colonizar a área, na divisa do Paraná com Santa Catarina. Das diversas cidades que resultaram desse empreendimento, a mais importante foi Joinville.
 No ano de 1851, 1.800 homens alemães foram contratados, e 80 oficiais, que se compunha de um batalhão de infantaria com seis companhias, um grupo de artilharia com quatro baterias e duas companhias de sapadores, contratada do norte da Alemanha pelo governo imperial para combater Manoel Rosas, sob o comando do então Conde de Caxias, que se fixaram no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, após terminada a missão.
Em 1852 tornaram –se colonos de fazendas, na Fazenda Santa Rosa, do Barão de Baependi, 132 colonos; para a Fazenda Independência, de Nicolau A. N. da Gama, vieram 172. 
A Fazenda Santa Justa, de Brás Carneiro Belens, ficou com 155 colonos. Destinaram 143 colonos para a Fazenda Coroas, de M.N. Valença. E 67 colonos foram para a fazenda Martim de Sá, de João Cardoso de Meneses. Em 1861, na inauguração da estrada de rodagem União Indústria, todos eles vieram para Juiz de fora. No ano de 1855, vieram colonos para  Rio Novo, quando chegaram à província do Espírito Santo, foram alojados nas selvas do Rio Novo, onde muitos foram trucidados pelos índios ou pelas feras. 
Em 1856 Os Colonos Santa Leopoldina compostos por colonos alemães e suíços, no Espírito Santo, resultaram nas colônias de Jequitibá, Santa Maria, Campinho, Califórnia, Santa Joana, Santa Cruz e  de 25 de Julho. 
No ano de 1856 Vieram colonos  para Mucuri, contratados por Teófilo Ottoni, chegaram em Nova Filadélfia, no Vale do Mucuri, os primeiros colonos alemães para Minas Gerais. Maria Procópio havia trazido, em 1856, cerca de 250 alemães, especialistas em pontes de ferro, mecânica, carpintaria, ferraria, construção; em 1858, trouxe mais 508 mulheres e 636 homens, incluindo crianças e bebês. Desses últimos, 641 eram católicos e 503, luteranos.  
Em 1857 foi formado a Colônia Santo Ângelo, chegaram em 01 Novembro 1857 as primeiras famílias, a maioria  alemães prussianas, que se estabeleceram na região do hoje município de Agudo,  no Rio Grande do Sul. Os colonos de D. Pedro II: diz respeito a Mariano Procópio e à história de Juiz de Fora. O primeiro embarque aconteceu na barca Teel, que saiu da Alemanha em 21 de abril de 1858, com 232 colonos  com 116 homens e 116 mulheres; do total, 145 protestantes e 87 católicos. Para a Companhia União e Indústria, tendo chegado ao Rio de Janeiro, em 24 de maio de 1858.
 O segundo aconteceu em 25 de junho de 1858, também  desembarcaram no Rio de Janeiro, com a barca Rhein. Foram 182 colonos de ambos os sexos. 
O terceiro desembarque no Rio de Janeiro ocorreu em 25 de julho de 1858, trazendo 285 colonos na barca Gundela. 
O quarto desembarque foi no dia 29 de julho de 1858, trouxeram 249 imigrantes, pela barca Gessner. 
No quinto e último foi pela barca Osnabrück, que chegou no dia  3 de agosto de 1858, com 215 colonos. 
No ano de 1859 os Imperadores ou os príncipes que estava governando o Império Alemão proibiram a emigração para o Brasil, devido a um forte movimento que surgiu na Alemanha contra esta emigração. Devido pelos vários problemas que acontecia na América Brasil. Alguns dos problemas começavam já na vinda para o Brasil, nos navios, em viagens que poderiam durar cerca de três à quatro meses pelo Oceano Atlântico numa precariedade estrema. Em algumas situações, imigrantes esperavam o navio por cerca de dois meses no porto de Hamburgo desolados e sem estrutura, em condições precárias, sem alimentações sem alimentação, nenhum lugar para pernoitar, onde inclusive ocorriam óbitos constantes. Muitas viagens foram feitas em navios com excesso de passageiros, onde as pessoas viajavam espremidas, com alimentação deficiente e má higiene, quando não aconteciam inúmeros mortes por causa de epidemias. Também muitos imigrantes morriam ao chegar ao Brasil, por causa de doenças tropicais. Ao chegar ao Brasil, os imigrantes alemães sofreram para se adaptar ao clima brasileiro, ao idioma e às novas condições de vida, normalmente primitivas, que já não tinham em seu país de origem.
 Em alguns casos, chegavam ao Brasil e por não estarem suas terras demarcadas, ficavam alojados nas senzalas junto com os escravos, aguardando durante meses o assentamento em seus lotes.Também por outros problemas como sendo escravizados pelos senhores fazendeiros. Outro problema pala falta  na demarcação de terras, muitas é brigas surgiam e até mortes.
 O isolamento das colônias também dificultava a adaptação ao novo ambiente, na medida em que faltava acesso a tratamento medico para doenças ou partos. Isto que algumas colônias tinham seu próprio médico. Na maioria das vezes quem atendia as mulheres eram as parteiras, muitas mulheres e crianças morriam por não ter o atendimento adequado e para chegar na cidade mais próxima levava dias por que o transporte era por tração animal,de carroça o que era muito lento. Alem da distância, também envolvia a falta de dinheiro, as dificuldades financeiras para obter o acesso do tratamento medico.
 A situação precária para sobrevivência causava muita decepção e desgosto, pois não eram as perspectivas que tinham quando decidiram emigrar. As promessas de que iriam para o "paraíso" aumentavam o sofrimento, quando estavam frente a frente a matas fechadas para derrubarem a machado, onde inclusive as mulheres ajudavam. 
A espera pelo cumprimento de promessas como o desenvolvimento da região com a construção de vias de acesso e a promessa de subsídio com dinheiro ou instrumentos de trabalho como as ferramentas, sementes,para inicias o plantio ou para cortar algumas arvores para construir casas para suas famílias, nenhuma das promessas foram cumpridas, na maior parte das colônias alemãs. 
A liberdade de culto de Religião Luterana, era somente tolerada por muitos anos, pois ia contra a constituição brasileira. Para tanto, os imigrantes Luteranos não poderiam construir prédios que tivessem a aparência de igreja, como usando sinos e cruzes. 
Muitas das terras recebidas pelos imigrantes eram simplesmente montanhas, morros altos, com muitas pedras, sem águas, secas e acidas, sem capacidade de dar boa produção de alimentos para a própria substância. Até descobrirem estas terras eram inférteis, já haviam investido com trabalho, tentando cultivá-las, e na da espera da colheita, a frustração de não conseguir colher nada foi de muitas famílias.
Os imigrantes passavam fome por falta de alimento. Estas famílias adoeceram por falta de recursos e descasos dos governantes da época. Alguns conseguiram caça de animais pequenos para não ser a tragedia maior e total.
Quando os imigrantes trabalhavam como empregados nas fazenda, dos senhores coronéis, muitos se viram na condição de "semiescravidão", Eles trabalhavam por horas a fio, e não recebiam o que foi no acordo. Na maioria das vezes só passava por promessas, o que fora prometido pelo trabalho, isso quando não eram maltratados pelos administradores ou pelos próprios donos das fazendas.
No Espírito Santo, nas cidades de Santa Leopoldina e Santa Maria de Jetibá, o pomerano se tornou a língua corrente. Com o fechamento das escolas alemãs em 1938 e 1939, o alemão padrão era a língua usada somente nas igrejas. 
Mesmo entre os mais velhos, não há quem escreva o alemão oficial corretamente, além de não haver uma escrita do pomerano. Novamente aqui, o português esta presente na língua escrita. 
O Hochdeutsch é a língua oficial dos serviços religiosos. No início de 1852 embarcaram em Hamburgo na Alemanha entre 800 e 900 pessoas em 4 navios. Elas haviam sido solicitadas por sete grandes fazendeiros de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
Os navios que deslocaram -se da Alemanha  foram estes: 1º. Colonist capitão J. Bade partida 25.02.1852 destino Rio de Janeiro.  2º. Princess Louise capitão Baehr partida 10.03.1852 destino Rio de Janeiro. 3º. Lorenz capitão L. Saabye partida 11.03.1852 destino Rio de Janeiro. 4°. Catharina capitão Lubaun partida 11.03.1852 destino Rio de janeiro. Para embarcar, os imigrantes foram até a cidade de Kahla (ou Cahla, 100 km de Boehlen) a atual Turíngia e de lá viajaram um dia de trem até Hamburgo.(Eisenbahn Karte von Deutschland von 1849. O porto de Hamburgo era um emaranhado de de pessoas; homens, mulheres e crianças levando consigo tudo o que podia, estavam carregados de variedades de bagagens. Quando resolviam emigrar para a America as famílias vendiam tudo que podiam e traziam os poucos recursos que conseguiam. Eram os mais pobres que vinham ao Brasil. Para trabalhar nas fazendas de café paulistas ou fluminenses, isso porque até os custos da viagem ou seja as passagens era pagas adiantado,a emigração para o Brasil tinha o único fator econômico. As viagens eram bastante precárias, feitas em navios a velas, com três mastros.
 Christian Bass,passageiro do Lorenz, conta: “que durante a travessia do canal (da Mancha) tivemos algumas noites de tempestade fazendo com que muitas caixas da entrecoberta (do navio) virassem. Tivemos ao todo 21 dias de calmaria, perto do Equador permanecemos parados 7 dias seguidos, e nos momentos mais quentes (a temperatura) era de 30 a 40 graus.” Pela possibilidade de calmarias os alimentos e a água eram racionados. 
No dia 14 de abril quase foram “afundados por um outro navio, pois o faroleiro adormeceu.”Naquela época, a Alemanha estava dividida em uma porção de reinados, principados e ducados, todos independentes, mas unidos precariamente pelo idioma. Ela viria a ser unificada por Bismarck apenas em 1871. 
Nos primeiros 50 anos de imigração, vieram para o Brasil muitos alemães e quase todos se dedicaram à colonização agrícola. Essa colonização alterou a ocupação de espaços, levando gente para áreas até então desprezadas.
 Introduziu também outras grandes modificações. Até aquele momento, a classe média brasileira era insignificante e se concentrava nas cidades. Os colonos alemães acabaram formando uma classe de pequenos proprietários e artesãos livres em uma sociedade dividida entre senhores e escravos.
Foi notável a diversidade e heterogeneidade cultural dos grupos de alemães que aportaram no Brasil no século XIX. Eles vieram para povoar,os colonos alemães foram conduzidos para diversas regiões do país, como Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. 
Preferencialmente, as colônias das Regiões Sudeste e Sul do país, onde foram estabelecidas, por iniciativa do governo imperial, em colônias no Estado de Rio Grande Sul, São Paulo, Santa Catarina e Paraná. Isto tudo aconteceu ainda no século XIX.

                                         O DIALETO POMERANO
  
 O Pomerano é um dialeto alemão que se define como uma variedade do Plattdeutsch. Interessante notar que este dialeto sobrevive unicamente no Brasil, uma vez que na Alemanha, com o fim da Pomerânia (Pommernland), que hoje tem seu território dividido entre Alemanha e Polônia, não se tem mais notícias dele. Mas, se falam o dialeto aqui no Brasil (no Espírito Santo, Pomerode, Harmonia), os Pomeranos não o escrevem, pois não existe uma grafia do dialeto. 
Atualmente já há algumas tentativas de estabelecer uma escrita do Pomerano. Nas cidades de falantes de Pomerano, o alemão padrão, ou Hochdeutsch, também é falado. Ele é usado nos atos religiosos e festividades folclóricas. O lugar da língua escrita, nestas cidades, é reservado primordialmente ao português e também ao alemão. Um ponto que é importante ressaltar é que o domínio que os descendentes de alemães Pomeranos tinham do ao alemão padrão muito tem a ver com a condição dos imigrantes que para cá vieram. A maioria era pobre e, por isso, sem condições econômica de aceder à educação à época da imigração, inclusive pelas dificuldades que se enfrentava na Europa de ter acesso à escola. Por isso, o alemão padrão, ensinado nas escolas na Alemanha, não era comum a todos. 
A origem e a composição regional dos grupos de imigrantes alemães dependiam, em muito, dos critérios e preferências dos agentes da emigração na Alemanha, enquanto o seu destino no Brasil ficava nas mãos dos receptores brasileiros que os distribuíam, considerando habilidades, interesses geo-políticos e econômicos.
 Vindo para o Brasil inicialmente como soldados e colonos, os alemães venceram grandes dificuldades e marcaram de maneira muito significativa a história do Brasil. A trajetória desses imigrantes para se firmarem aqui como sua tradição ainda está presente nos dias atuais.

IMIGRAÇÃO ALEMÃ PARA O BRASIL DE 1824 á 1969

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
PERÍODO                                                         NÚMEROS DE IMIGRANTES
1824`a 1847 ………...................................…………….8.176
1848 à 1872 ……………………….………...………..19.553
1872 À 1879 ……………………………………….…14.325
1880 à 1889……………………………….…………..18.901
1890 à 1899 ……………………………...………….. 17.084
1900 à 1909 …………………………..………………13.848
1919 à 1919 …………………………..………………25.902
 1920 à 1929  ……………………….………………..75.801
1930 à 1939…………………………………………..27.497
1940 à 1949  ……………………….…..…………….. 6.807
1950 à 1959 ……………………….…………………16.643
 1960 a 1969 ………………………....………………. 5.659


          







Fontes Bibliograficas:



 O clima da historia da Alemanha
1) Luiz José Stehling, JUIZ DE FORA, A COMPANHIA UNIÃO E INDÚSTRIA E OS ALEMÃES, 1979, edição da Prefeitura de Juiz de Fora, FUNALFA.
2) Paulino de Oliveira, HISTÓRIA DE JUIZ DE FORA, 2a. edição, 1966 (creio que seja edição do autor, porque só consta a gráfica: Gráfica Comércio e Indústria Ltda., Juiz de Fora). 
3) Jair Lessa, JUIZ DE FORA E SEUS PIONEIROS (DO CAMINHO NOVO À PROCLAMAÇÃO) - Ed. UFJF e FUNALFA, 1985.
4) Oswaldo R. Cabral, HISTÓRIA DE SANTA CATARINA, 2a. edição, UFSC, 1970).



terça-feira, 4 de setembro de 2012

DURANTE A 2º GUERRA PERSEGUIÇÕES E PRECONCEITO CONTRA OS DESCENDENTES ALEMÃES



 PERSEGUIÇÕES E PRECONCEITO CONTRA OS DESCENDENTES ALEMÃES

O Exército brasileiro começa com a  queda do Imperador D. Pedro II e, percorre toda a República Velha e vai até a instauração da ditadura do Estado Novo, em 1937. Esse período, no qual o Exército se estabeleceu como a única instituição nacional. porém tem muito pouco  historiografia do assunto; sobre a formação do Exercito Brasileiro e os Soldados durante o ano de 1930 até o ano de 1938.
  Deixo aqui um agradecimento:
   Talvez não existam palavras suficientes e significativas em agradecer aos grandes servidores da Pátria como os Soldados do Brasil. Que com grande honra defenderam e defendem sua  Terra Natal.  Se todos os Brasileiro descem  o  merecido valor e valorizassem sua Mãe Pátria  o Brasil seria um País bem  melhor para todos. Homenagem aos Soldados de hoje mas principalmente ao meu pai e tios que foram defender  sua Pátria enquanto seus pais eram humilhados, desrespeitados,descriminados e perseguidos.



Soldado Hellmuth do ano de 1937


        
         O GOVERNO DE SANTA CATARINA E SUAS PERSEGUIÇÕES

        Nereu Ramos se se elegeu deputado Constituinte Nacional em maio de 1933. Em outubro do ano de 1934 foi reeleito deputado federal.  No ano de 1935 foi eleito governador de Santa Catarina, tornou-se interventor com a instauração do Estado Novo em 10 de novembro de 1937.
 Então na nova Constituição então outorgada por Vargas facilitou o desenvolvimento de uma campanha de nacionalização do ensino em Santa Catarina, apoiada por Nereu e dirigida pelo general José Meira de Vasconcelos, comandante da 5ª Região Militar, visando a substituição das numerosas escolas alemãs por escolas públicas brasileiras, especialmente nos 20 municípios situados nos vales dos rios Itajaí e Cachoeira. Nessa região, a língua portuguesa praticamente  não era falada por falta de professores de português . O Presidente da Republica tanto como o Governo do Estado de Santa Catarina não se preocupavam em colocar um professor nessas regiões por achar que na roça não precisa saber escrever, ler ou fazer cálculos. Isto era sistema governamental da época, que atualmente a pratica persiste. 
     Mas, como os imigrantes e descendentes davam muito valor ao conhecimento básico dos filhos. Como todos bons pais se preocupam com seus filhos, então contratavam professores para ensinar seus filhos, normalmente quem falava o  alemão para conseguir se comunicar com as crianças e com os sitiantes. Então e as crianças, até então, estudavam em alemão por falta de professor bilíngue.
 Nereu Ramos Governo de Santa Catarina  da época d a Segunda Guerra Mundial, usava todas as medidas de forma rude, extremista para proibir o idioma alemão. De dia e de noite perseguia os que utilizavam idioma não português. Foi uma exigência fora do comum queres que de noite para o dia que todos falassem o português. Os imigrantes e seus descendentes se sentiram que estavam sem pátria, de tantos anos trabalhando na Nova Terra de repente sendo perseguidos, descriminados e massacrados, alguns enfrentaram a discriminação e muitos se escondiam na mata quando vinha pessoas estranhas perto da sua residência.
Obviamente que  encontrou forte oposição a seu governo ele foi um grande  inimigo dos imigrantes e dos seus descendentes em virtude de cinco decretos que assinou entre janeiro de 1938 e fevereiro de 1939, instituindo novas normas relativas ao ensino primário e à nacionalização do sistema escolar. 
O seu pai realizou a primeira reforma do ensino em Santa Catarina. Nereu Ramos fez a segunda, desenvolvendo intensa crueldade, e maldade tanto nas Cidade  com na área Rural. As atividade na área da educação pública durante sua interventora foi de medrontar qualquer criança.
 Entre as medidas, criou a Inspetoria Geral das Escolas Particulares e Nacionalização do Ensino, instituiu a obrigatoriedade da educação primária para as crianças de oito a 14 anos e proibiu que sedes municipais, novos núcleos de população e estabelecimentos escolares sustentados total ou parcialmente pelo Estado ou pelos municípios recebessem nomes estrangeiros. Durante seu governo do Estado ele proíbe a recepção radiofônica de notícias de guerra. Como também o simplesmente de ouvir musica alemã através do gramofone. As punição eram muito severas, quem desrespeitassem as restrições com castigos severos e prisões.
 A colônia alemã de Santa Catarina também sofreram com o fechamento das sociedades e igrejas.  A população reagiu com antipatia ao fechamento das sociedades de atiradores das clubes onde os imigrantes se reuniam para praticar o tiro ao alvo e cultivar suas tradições folclóricas. Foram  vários distritos de Blumenau Como: Rio do Sul, Indaial, Ibirama, Rodeio, Timbó e Gaspar entre outros municípios, à condição de municípios.
     Após a eclosão da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939, o general Meira Vasconcelos, apoiado por Nereu, concentrou suas atividades na desarticulação das redes de espionagem que trabalhavam para o Eixo no estado, pois o  Senhor Getúlio Vargas ele mesmo tinha simpatia e amizade com Adolf Hither e o Alto comando de Blumenau era exercido pelos Generais Alemães, dê repente todos são inimigo .
 Em 1942, quando o rumo da guerra começou a ser revertido em favor dos Aliados, o governo brasileiro abandonou sua posição de neutralidade e declarou guerra aos países do Eixo. Pouco depois, tentando se antecipar às pressões em favor da redemocratização do país, Getúlio Vargas anunciou que, ao final do conflito, o Estado Novo seria transformado. Visando preparar as condições políticas dessa transição, em fins de 1944.


QUARTEL DO EXERCITO DE BLUMENAU
Foto de Hellmuth Bäringer pai da autora

    Durante muito tempo ouvia as  histórias sobre o sofrimento das pessoas de descendência imigrantes que sofreu muito durante a dos ano de 1937 até 1945, por este motivo fui tomando pela curiosidade, e reforçava cada dia ainda mais meus questionamentos, principalmente no que se trata sobre as famílias de descendência alemã de Santa Catarina. Todos os comentários sobre a Guerra, entre as famílias, fascinaram-me e colaboraram muito a elaborar  esta pesquisa.
Aos familiares que tiveram um ente querido  incorporaram na Força Expedicionária Brasileira (FEB),sofreram dobrado e dirijo meu trabalho dentro da temática da Nova História, abrindo margens para novas discussões e questionamentos, formulando, assim, novas interpretações para  entender bem a memórias dos familiares e pessoas envolvidas nas perseguições e descriminação, durante a Segunda Guerra Mundial, e o que levou o governo Getúlio Vargas a perseguir pessoas inocentes colocando em péssimas condições varias pessoas e desestruturado varias famílias. Desta maneira, minha pesquisa parte do pressuposto que a memória porta a marca da experiência, por maiores mediações que tenha sofrido, portanto ela é sem dúvida, uma importante fonte de informação.






Alto  Comando do Exército de Blumenau esta o General Alemão Günther Niedenführ é o general imigrante. Esta foto é do ano de 1937 numa comemoração de boas vindas.
foto da autora




O presente trabalho tem como problemática identificar as motivações que levou o Presidente e o governos  Estadual de Santa Catarina considerar todo os imigrantes e descendentes inimigo do Brasil. E, para levantar as respostas é preciso conhecê-los, saber suas origens, seu cotidiano para  começar meu trabalho. Sera colhido principalmente depoimento pessoais e registros no jornais e revistas no Brasil durante a Segunda Grande Guerra.


O soldado que esta circulado é pai´da autora
Hellmuth Behringer




     Durante o Estado Novo de Getúlio Vargas do ano de 1937 até  o ano de  1945,  Presidente Getúlio Vargas a instalou no Brasil o regime ditatorial comandado por durante o período da Segunda Guerra Mundial. Com relação à Segunda Guerra Mundial, a situação do Brasil se mostrava completamente indefinida. Ao mesmo tempo em que Vargas contraía empréstimos com os Estados Unidos, comandava um governo próximo aos ditames experimentados pelo totalitarismo nazi-fascista. Dessa maneira, as autoridades norte-americanas viam com preocupação a possibilidade de o Brasil apoiar os nazistas cedendo pontos estratégicos que poderiam, por exemplo, garantir a vitória do Eixo no continente africano.

Bem ao centro da primeira linha em pé com objetos na mão é Hellmuth B.soldado dando baixa no ano de 1937.


Em 1936 neste período o Exército Brasileiro inicia sua preparação para a defesa do litoral brasileiro e também receio de uma grande  Guerra Mundial. se houvesse uma guerra exigia a adaptação de todas as atividades da nação às suas necessidades.
 As adaptações deviam, entretanto, operacionalizar-se de acordo com um plano estabelecido exercito disciplinado,eficaz e agiu. Nestas operações tenha o alto comando exercido pelo generais vindo da Alemanha. eles exigindo o máximo de disciplina evitando assim, perda de tempo e desperdício de material. De acordo com as adaptações sofridas pelo Exército, o enfoque com relação à Educação Física mudando a ênfase na reparação do soldado para um combate.   
Na segunda fila  da direita para esquerda e o Hellmuth Bäringer do exercito de 1937.


    Mas com a mudança de ideias de Getúlio Vargas que  declarou guerra contra os italianos e alemães em agosto de 1942. Politicamente, o país buscava ampliar seu prestígio junto ao EUA e reforçar sua aliança política com os militares. No ano de 1943, foi organizada a Força Expedicionária Brasileira (FEB), destacamento militar que lutava na Segunda Guerra Mundial. Quase  não se tem livros de História do Brasil que se preze que relata os fatos realmente como ocorreu com os imigrantes alemães e seus descendentes aqui no Brasil durante a segunda Guerra Mundial. Onde houve forte censura e perseguição. Inclusive, tal "perseguição" foi o fator que afetou a vida dos imigrantes alemães até nos dias atuais, devido à característica nacionalista do governo Vargas.
Assim começou as perseguições e descriminação contra os descendente de qualquer que não falasse o português.






     Em 1938, o ensino de alemão foi completamente proibido. Nas escolas da zona rural eram obrigadas a lecionar o português, com a proibição. Em 1942, medidas ( mais ) restritivas, como a proibição do uso de idioma estrangeiro em locais públicos e a proibição de reuniões, mesmo em casas particulares, provocavam situações constrangedoras:  bastava uma denúncia, vinda inclusive de vizinhos ou inimigos pessoais, para levantar a voz de prisão contra estrangeiros inocentes. Até mesmo uma oração ou uma conversa formal, na época, eram consideradas atos criminosos.
       Esta pesquisa foi elaborada no Estado de Santa Catarina nos municípios de Ibirama Presidente Getúlio, Indaial, Ibirama, Pomerode, Gaspar, Brusque, Blumenau, Gurupá, Joinville, Rio do Sul, Águas Mornas e entre outros municípios de Santa Catarina. 
       A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial deu início a uma onda de violência contra imigrantes germânicos por todo o país. Após ataques a 6 navios na costa brasileira em 18 de agosto de 1942, a população saiu às ruas e destruiu estabelecimentos que tinham alguma ligação com os países considerados inimigos, como a Alemanha. No Brasil inteiro, casas, lojas e igrejas foram os principais alvos da revolta. 
Depoimentos de pessoas da primeira e segunda geração de descendentes de imigrantes Alemães que aqui aportaram vários imigrantes desde o ano de 1824 até 1919, vindos da Alemanha e países aos redores.


Guilherme Krüger; ele terceira geração de imigrantes alemães, seus pais perseguidos enquanto ele lutava para defender sua Pátria Brasil.

        Os relatórios recolhidos nesta pesquisa foi surpreendentes as experiência das tragédias sofrida e  agressões as   identidade étnica  foram submetidas a descriminação e humilhações durante o período da ditadura de Getúlio Vargas entre os anos de 1937 à 1945 e a Europa estava em guerra mundial no mesmo período da ditadura getulista. 
           Durante o Estado Novo, todos os imigrantes alemães e de seus descendentes que viviam em colônias isoladas no Sul do Brasil, viviam em demasiadamente aflitos pela brutalidade  dos interventores da época. O agricultores eram pessoas   humildes  muitos não tinha noticias sobre o que ocorria nos países   em guerra. E não  mantinham qualquer relação com a Alemanha nazista.
      Os descendentes dos imigrantes estavam enraizados em um núcleo de valores estáveis, que a língua tinha a missão de conservar e transmitir, tendo, desenvolvido, desde o início, suas próprias escolas, auxiliado pelo governo do país de origem, em articulação com a organização social que a Igreja Luterana promovia. Isolados nas montanhas.
          A perseguição a estes colonos por motivos de uso do idioma alemão ou dialeto alemão, representou acima de tudo violência: Mortificação do eu, dor, humilhação, desprezo, incompreensão e injustiça, e acima de tudo, a introjeção do medo e da vergonha de se falar a língua de suas origens étnicas.
Os Interesses ligados à política estadual no sistema integralista foram os elementos determinantes na forma como os descendentes dos imigrantes alemães foram atingidos em sua identidade étnica. Estereotipados como inimigos da Pátria eram denominados de nazistas.Foram humilhados, presos, extorquidos monetariamente e castigados com torturas, a pretexto de terem, às vezes, pronunciado uma só palavra em língua estrangeira.
       A existência de delatores, recrutados, às vezes, entre os da própria etnia, mostra bem a que ponto a violência se transformou em um movimento de todos contra todos, justificados pela política em vigor. Não se respeitava nem o espaço privado. Era governador de Santa Catarina Nereu Ramos, em cujo governo, a proibição de expressar a identidade alemã foi reforçada, por uma aparelho policial extremamente feroz. 
      Ao longo de mais de 150 anos entraram no Brasil mais de 260 mil imigrantes.O conceito de Deutschbrazilianertum, portanto, continha uma proposta de pluralismo étnico-cultural pela qual cada grupo nacional devia ter o direito de perpetuar seus costumes, seus valores morais e sua língua materna. Proposta que entrava em choque com a concepção brasileira de estado nacional, fundamentada no direito de solo e na assimilação. Por outro lado, as expressões de preconceito racial, mais evidentes na argumentação sobre a endogamia, serviram de base para recusar a assimilação e alimentaram bastante às especulações brasileiras sobre o “perigo alemão”. Especulações surgidas não só porque as regiões de colonização alemã se tornaram visíveis para a sociedade mais ampla, como também porque o preconceito racial e a consequente desqualificação de grande parte da população brasileira foram acirrados com a entrada em cena dos pangermanistas.
       Os descendentes dos imigrantes alemães que residiam no município citados não podiam falar o seu idioma que conheciam, caso falacem, eram presos e muitos deles sofriam agressões físicas severas, para ser mais especifico torturados.
      Os colonos imigrantes e também seu descendentes da imigração alemã  trabalham  vezes em exaustão para dar o alimento para seu filhos para dar o mínimo de conforto  e não esperavam que o governo os sustentasse durante muitos anos e esquecidos no meio da mata só lembrara da existência dos mesmo  para conseguir convocar os filhos  para servir o exercito. e os pais  e avós que continuaram nos seu trabalhos  eram perseguidos na chamada   de quinta coluna, pelo fato de não terem se integrado não costume nacional brasileiro e também do conhecimento e uso da língua oficial.




  DESCENDENTES DOS MIGRANTES ALEMÃES PERSEGUIDOS  DURANTE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL NO BRASIL.


        As violências físicas foram diversas, entre elas a prisão e os trabalhos forçados por longos períodos.  Nos casos as pessoas que sofreram torturas físicas com ser amaradas numa arvore e serem chicotadas elas sentiam frustradas e com muita vergonha em falar sobre esta fato, outras pessoas além de serem amaradas e chicoteadas faziam a pessoa enjeri óleo resino.  A razão deter poucas informações é por que muitos estão com vergonha de falar sobre o assunto e medo e outras vítimas já faleceram, ou os envolvidos não desejam falar sobre o assunto. O que se percebeu que  o pânico é  geral, e a maioria fala do pavor vivido, ainda com muita emoção, muitas das pessoas na época muito pequenas e com as lembranças vem vivas.
     Durante os trabalhos forçados, trabalhando com picareta, as pessoas, sentiam-se violentadas, trabalhavam de sol a sol, não recebiam comida e passavam muita sede. Tinham que levar seus próprios sustento para o trabalho, além do alimento tinha que providenciar as ferramentas  como: carroças, carinhos de mão, pás e enxadas para efetuar obras públicas. Muitos trabalharam meses neste castigo. Quem trazia comida eram os amigos ou família se o policial via que a comida  tinha carne; tomava do trabalhador " escravo".

   Segundo o Emilio Splita aos seus 78 ao de idade falou: Os que eram presos, eram obrigados a trabalhar muito e não podiam falar nada só em português. E o trabalho era pesado; fazer estradas, cavar buracos, demolir morros. A comida a família ou algum amigo que levava e não podia ser com carne e bem pouca. De manhã tinha que levantar as quatro horas para trabalhar até as dezenove horas da noite. Depois a noite tinha que dormir na cadeia.


        Paulina Da Silva, aos seus 88 anos relata: Eu sou filha de descendente de alemão mas me casei com um português. O José fala o alemão por isto foi eu aprendiu falar fácil, para mim aprender o brasileiro. Nois era tudo diferentes, mais todos dizia que era alemão, um era alemão preto, outro era alemão placo, outro é alemão russo,e tem alemão italiano; era bonito de ver nossa festa, todos princando mas quando veio a segunda guerra tudo foi proibido, muita gente foi preso, outros eram castigada com óleo rícino; ´tinha que tomar uma garrafa inteira desse óleo que faz mal. E até quem não queria tomar era amarrada numa arvore e por muitos dias e dava varias vezes o óleo na garganta abaixo. Todo mundo ficou com medo. Quando vina gente para cá todos se escondiam num buraco debaixo da cama, tinha um buraco no soalho, sabe né. Ainda tô com medo. quando vem gente que não conheço. Muito medo.

Willy  de 82 anos diz: Sou neto de imigrante que resido aqui nesta região desde criança. Esta região tem de todas as raças de gente, gosto de música e toco meu bandonhão desde novo para todos dançar domingueira e bailes. Gosto de ouvir meu rádio, e também de dançar. Quando tinha esta maldita guerra lá na Alemanha; todos ficamos sem ter festa, baile e domingueira. Não podíamos falar com ninguém, aqui todos só fala o alemão até agora. Quando um dia de tarde, eu estava escutando musica e aprendendo uma nova musica para tocar. Quando um desses que gosta  espionar e daí eu fui preso e daí você pode pensar o que aconteceu, não gosto de lembrar. Fico triste até agora, tenho medo agora quando vejo pessoa estranha.    


Hellmuth Bäringer 88 anos conta: No casamento da minha irmã  Frieda  foi muito humilhante além de ser um dia triste. Devia ser feliz, mas foi triste. O inicio tudo foi bom enfeitamos a casa com folhas de palmeira e daí fomo para a cidade para oficializar o matrimonio. Voltamos todos felizes e cantando e soltando foguetes com de costume. Tinha sempre algumas pessoas nos acompanhando, não demos  importância e continuou com a nossa festa e de noite começamos a dançar, quando de repente policiais entraram na  casa e o levaram o preso algumas pessoas convidadas. Os policiais amararam as mãos e os  pé das pessoas e chegaram em cima da carroça. Em para terminar de estragar a festa do casamento veio a noticia de que  o irmão de minha esposa tinha morrido na guerra. Foi um policia estavam de cavalo, ele que disse que o Guilherme tinha morrido. Foi muito triste tudo e todos ficaram com medo. No outro dia a gente descobriu que as pessoas foram presas e daí eles tinham que pagar a divida de ficar preso e tinha que pagar trabalhar de graça. Muito triste isto, muito triste.

 Senhor Andreas de 90 anos Diz: Foi amarrado e obrigado a caminhar pela estrada por quilômetros e me obrigaram a tomar óleo risinho e amaram no meu tornozelo uma corda por cima da calça, quando eu iria evacuar as fezes ficasse grudado nas pernas para fazer assaduras, e o que aconteceu. Eu fiquei dias assim e fiquei muito doente. Para eu aprender falar o português. E na minha casa, os policiais levaram o rádio, livros e revistas escritas de alemão. Sempre tenho muito medo de policia.

Sophina de 74 anos conta: Eu me lembro quando eu era criança. Minha mãe sempre falava bem baixinho e dizia fique quieto, não chore  e não fala nada.  Lembro bem quando a perseguição começou, instalou-se uma revolta por toda a parte. Antes não tinha nada era tudo bom, dê repente, nós éramos os ruim ninguém  podia mais falar. Não era aceito  no país falar o alemão e de uma hora para outra. Me lembro que eu vivia chorando quietinha com muito medo.
Bruno de 80 anos diz: Todos que falavam o alemão aqui  eram silenciados, sem poder se comunicar ou fazer suas compras se um dia precisava fazer; Só podia ir fazer compras se saber falar o português. Neste tempo, durante a guerra era muito difícil. Era muito ruim, só repressão todos estavam com muito medo. Todos os municípios daqui de Santa Catarina eu acho.

 Senhora Rita 78 faz seu comentário: Sei que eu nem deveria falar nada de medo de represálias. Mas digo: Os agricultores desenvolveram nesta mata fechada, cheio de morros altos e muita pedras uma agricultura para ajudar neste  progresso do Brasil. O seu desenvolvimento foi muito forte com o trabalho sério e dedicação. Os filhos e netos dos imigrantes alemães realizavam na lavoura o que nenhum bom português imaginaria. Sem poder de comunicação e voz ativa, os imigrantes deixavam de vender por medo e o município passou a ter uma regressão no seu desenvolvimento. Não sou alemã somente descendente mas fiquei com muito medo na época isto fiquei isto que eu sei o português.

Antigo Pastor da religião Luterana de Ibirama fez este depoimento; não quis deixar registrado seu nome por causa do receio  da opinião publica.   Segundo ele:  No   início da II Guerra Mundial, quando eu já era pastor, o uso da língua alemã foi totalmente proibido.  Quando o Brasil declarou guerra à Alemanha, em 1942, fui levado para um campo de concentração. Com senhores já idosos e  com todos os homens de nacionalidade alemã e italiana até mesmo polonesa.  Mas, depois um tempo, um grupo após o outro foi mandado para casa.  Alguns passaram um período maior no campo, outros permaneceram menos tempo e outros desapareceram. Simplesmente por que não sabia o que era Quinta Coluna.  Eu tive que ficar lá por dois meses.  A libertação foi concedida, mas não podíamos exercer atividades pastorais.  Aproveitei estas férias forçadas para estudar,  com muito zelo, a língua portuguesa e aprendi bastante mais não o suficiente.


Segundo a história oral da Senhora Catherine, filha de imigrante alemão,  ela diz: Nós vivíamos muito bem entre os pretos, estes que trabalha  que foge, que não quer trabalha de esclav, que veio lá da África, né! Com italiano, ucraniano, poloneses, e também com japoneses, conheci Japonês. Cada qual falava sua língua de origem e mostravam o que queria dizer, quando percebia que a pessoas não compreendia, acabava todos se entendo  e todos viviam bem. Iniciou e chegou a guerra para colocar desconfiança, medo e ódio  nos corações de todos. Para que guerra? Para que leis tão severas? Para amedrontar as pessoas de bom coração. Tenho certeza que antes da guerra vivíamos em harmonia e muito felizes, uma mescla de cores nas pessoas, na maneira de se vestir de falar. Até hoje tenho medo.





































Fontes Bibliograficas
Retratos e fotos digitalizados por helmtraut behringer
Bilder freundlicherweise von den Eltern der Vormund vorgestellt
As diversas fontes foram colhidas durante os estudos desde o ano de 1980 até no ano de 2004. Durante os cursos realizados pela autora do Blogger. Registros em foros gravações e escritos.
1-Instituto Brasileiro de Museus –IBRM http:/www.museus.gov.br
2- Museu Nacional de Imigração e Colonização. Joinville – SC.mnic@joinvillecultural.sc.gov.br
http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/07/descendentes-de-alemaes-lembram-perseguicao-no-rs-na-2-guerra.html
3-Portal Prefeitura do Município de Blumenau